As remessas internacionais têm se consolidado como um dos principais pilares do fluxo financeiro global. Ao conectar migrantes e suas famílias, esses envios de recursos moldam realidades sociais e econômicas, oferecendo suporte estável mesmo em tempos de crise.
Este artigo explora como o Brasil e outros países utilizam as remessas para fomentar o desenvolvimento, quais impactos enfrentam e quais caminhos trilhar para maximizar benefícios.
Definição e Importância das Remessas
Remessas são recursos enviados por migrantes a seus países de origem, caracterizando-se como uma fonte menos volátil de divisas. Mesmo em períodos de instabilidade financeira global, esses fluxos tendem a permanecer estáveis, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento.
No Brasil, as remessas representam cerca de 1,1% do PIB, mas têm peso relevante em regiões de baixa renda, atuando como uma rede de segurança econômica para milhares de famílias.
Impacto Econômico e Social
O efeito mais imediato das remessas é o aumento do consumo local. Com alto impacto no consumo familiar, os valores enviados tendem a ser integralmente utilizados para despesas essenciais, educação e saúde.
Municípios que recebem remessas apresentam melhor desempenho no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, especialmente na dimensão renda. Essa grande impulso ao desenvolvimento humano reflete-se em escolas reformadas, clínicas equipadas e mais oportunidades de trabalho.
Durante a pandemia, ao contrário de outras fontes de renda, as remessas mantiveram-se resilientes. Estudos do Morgan Stanley e do BID confirmam que esses recursos não sofreram queda significativa, sinalizando uma mudança estrutural na composição da renda familiar.
Remessas no Brasil: Dados e Tendências
O volume de remessas recebidas pelo Brasil tem apresentado crescimento constante nas últimas décadas. Em 2004, o país recebeu US$ 5,6 bilhões, enquanto em 2005 esse valor subiu para US$ 6,4 bilhões, um aumento de 14%.
O número de estrangeiros autorizados a trabalhar no Brasil cresceu 30% entre 2009 e 2014, reflexo direto no aumento de remessas tanto de entrada quanto de saída, com recorde de US$ 937 milhões enviados do país em 2013.
Políticas Públicas e Regulamentação
O governo brasileiro tem estimulado bancos públicos e privados a captar esses recursos, reconhecendo que as remessas funcionam como dinheiro privado de famílias e indivíduos. A atuação estatal é recomendada apenas em casos de prevenção à lavagem de dinheiro e controle de fraudes.
- Incentivos fiscais para instituições financeiras que operam remessas;
- Programas de educação financeira para destinatários;
- Participação do Brasil no compromisso do G20 para redução das taxas de remessas;
- Monitoramento para impedir abusos de mercado.
Tributação e Riscos à Economia
Em paralelo, o país aplica tributações específicas, como o Imposto de Importação de 20% sobre encomendas até US$ 50 via e-commerce. Essa medida gerou R$ 2,98 bilhões em 2024, mas também provocou uma queda de 11% no número de encomendas internacionais.
Propostas de taxar remessas de dividendos em 10% podem causar perdas de longo prazo. Estudos da Amcham e Britcham indicam que, em dez anos, o Brasil poderá perder R$ 6,8 bilhões no PIB, pois cada real arrecadado representa R$ 0,70 a menos em crescimento econômico.
Essa tributação encarece o capital, gerando custo de capital mais elevado e desestimulando novos aportes, o que reduz a competitividade do Brasil no cenário global.
Relações Comerciais e Vulnerabilidades
Como 9º maior importador e 18º maior exportador dos EUA, o Brasil é suscetível a retaliações tarifárias. Se implementadas tarifas de retorno, o PIB poderia recuar até 0,3 ponto percentual, pressionando inflação e taxa de juros.
Setores como autopeças seriam os mais afetados, pois não dispõem de alternativas rápidas para realocar produção a novos mercados.
Perspectivas Globais e Recomendações
O crescimento das remessas está atrelado à saúde econômica dos EUA e ao aumento dos trabalhadores imigrantes. Um ponto a mais no PIB americano pode impulsionar em 4,3 pontos percentuais as remessas enviadas ao Brasil.
Para fortalecer esse fluxo e maximizar seus benefícios, recomenda-se:
- Ampliar a educação financeira dos destinatários;
- Reduzir barreiras regulatórias e custos de transação;
- Estabelecer parcerias com instituições internacionais de desenvolvimento;
- Incentivar projetos de investimento local com recursos de remessas.
Com essas medidas, o Brasil não só consolida perfil de crédito mais resiliente, mas também abre caminhos para um desenvolvimento sustentável em comunidades vulneráveis.
Referências
- https://www.abit.org.br/noticias/resultados-da-taxacao-das-remessas-internacionais-sao-positivos-para-o-brasil
- https://netcpa.com.br/colunas/proposta-de-taxar-remessas-de-dividendos-ao-exterior-pode-causar-perdas-de-r-68-bi-no-pib-em-dez-anos-aponta-estudo/26152
- https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/priscila-yazbek/economia/macroeconomia/se-brasil-retaliar-com-tarifas-impacto-no-pib-pode-pode-ser-pior/
- https://institutodiasporabrasil.org/2023/01/29/remessas-monetarias/
- http://www.publicadireito.com.br/artigos/?cod=bbc77a1cfac6902c
- https://www.bloomberglinea.com.br/2024/05/06/remessas-crescem-na-america-latina-e-criam-nova-perspectiva-para-economias-locais/
- https://www.iadb.org/pt-br/noticias/brasil-remessas-e-microcreditomudancas-globais-no-sistema-bancario







