Em 2025, testemunhamos um cenário econômico mundial repleto de contrastes. Enquanto alguns países respiram alívio, outros enfrentam pressões sem precedentes. A metáfora do “dragão adormecido” retrata perfeitamente a dualidade entre deflação e inflação.
O Panorama Atual da Inflação
Após picos históricos, a inflação global dá sinais tímidos de recuo. O FMI mantém sua projeção em 4,2% para 2025 e 3,7% para 2026, e a ONU prevê uma queda de 4% em 2024 para 3,4% em 2025. Ainda assim, esses números permanecem acima dos níveis ideais, sugerindo que famílias e empresas continuam sob pressão.
- Países desenvolvidos: inflação estimada em 2,5% para 2025.
- Países em desenvolvimento: projeção de 5,5% no mesmo período.
- Regiões mais afetadas: Europa Emergente (13,5%), África Subsaariana (13,3%) e Médio Oriente e Ásia Central (11,1%).
Esses dados mostram que, apesar de alguma melhora, o “dragão inflacionário” ainda ergue sua cabeça em várias partes do globo.
Contrastes Entre Gigantes Econômicos
Os Estados Unidos e a China, as duas maiores economias do planeta, vivem realidades antagônicas. Nos EUA, o IPC médio projetado para 2025 é de 2,69%, mas expectativas inflacionárias continuam ascendentes. Empresas começam a repassar custos aos consumidores, e 59% dos economistas antecipam inflação elevada.
Já na China, observa-se deflação: o CPI apresentou queda de -0,1% entre janeiro e maio de 2025, e a inflação média anual foi de -0,12%. Instituições como a UBS estimam IPC em 0,1% para 2025 e -0,2% em 2026. Surpreendentemente, 93% dos economistas preveem pressões deflacionárias.
Desafios Regionais e Exceções
A heterogeneidade europeia é marcante. Enquanto França (0,97%), Suécia (0,74%) e Suíça (0,19%) apresentam taxas baixíssimas, países como Reino Unido (3,96%), Eslováquia (4,34%) e Estónia (4,94%) giram em torno de níveis mais altos. A Turquia registra inflação astronômica de 36,40%.
- Venezuela, Sudão e Zimbábue: entre 43% e 180% ao ano.
- Argentina e Turquia: acima de 35% de inflação anual.
Essas disparidades regionais revelam que o “dragão” não está adormecido em todos os cantos.
As Chamadas das Causas
Dois fatores principais impulsionaram a inflação recente: a pandemia de Covid-19 e a guerra na Ucrânia. A crise sanitária interrompeu cadeias logísticas globais, enquanto o conflito gerou choques de oferta, especialmente em energia e alimentos.
Adicionalmente, políticas tarifárias e comerciais criaram incertezas. As tarifas dos EUA, aplicadas nos últimos anos, aumentaram custos de produção na Ásia e além, exacerbando pressões inflacionárias.
Na China, o processo deflacionário decorre da fraqueza na demanda interna, do desaquecimento do mercado imobiliário e de rendimentos estagnados. Consumidores cautelosos e empresas reticentes ampliam o cenário de queda de preços.
Impactos no Dia a Dia de Famílias e Empresas
Para as famílias, alta nos preços de alimentos, combustíveis e energia corrói o poder de compra. Orçamentos ficam mais apertados, e poupança se torna prioridade diante da incerteza.
No setor empresarial, custos de insumos e logística flutuam abruptamente. Muitas empresas adotam postura “esperar e ver”, adiando investimentos em tecnologia e expansão. Essa retraição afeta o crescimento e a geração de empregos.
Estratégias Práticas para Navegar na Tempestade
- Revisão periódica do orçamento: ajuste receitas e despesas conforme oscilações de preços.
- Investimentos diversificados: combine opções de renda fixa, ações e commodities para proteger patrimônio.
- Controle de custos operacionais: empresas devem mapear despesas e identificar eficiências.
- Adoção de tecnologia: automação e análise de dados ajudam a antecipar riscos e otimizar processos.
- Educação financeira contínua: entender indicadores econômicos melhora decisões.
Perspectivas para 2026 e Além
Os principais bancos centrais planejam reduzir juros em 2025 conforme a inflação moderar. Na China, espera-se um estímulo fiscal de 1,6% do PIB para sustentar o crescimento. Entretanto, tensões geopolíticas e cadeias de suprimentos ainda suscitam incertezas.
Expertos sugerem que, até o final de 2026, cerca de 30 países alcancem metas ideais de inflação. Porém, regiões vulneráveis continuarão sob risco de pressão de preços ou deflação, dependendo de fatores internos e externos.
Conclusão
O mundo econômico de 2025 se assemelha a um tabuleiro complexo, onde o “dragão” inflacionário pode acordar ou permanecer adormecido. Entender as diferenças entre regiões, estudar cenários e aplicar estratégias financeiras sólidas é fundamental para navegar neste mar de incertezas.
Ao combinarmos conhecimento global com ação local, indivíduos e empresas podem proteger seus recursos, contribuir para a estabilidade e, quem sabe, transformar desafios em oportunidades de crescimento.
Referências
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- https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/fmi-eleva-projecao-de-crescimento-global-mas-alerta-para-tensao-eua-china/
- https://www.weforum.org/stories/2025/09/biggest-economies-different-problems-china-us-inflation/
- https://news.un.org/pt/story/2025/01/1843341
- https://www.ubs.com/global/en/investment-bank/insights-and-data/2024/outlook-for-china-economy.html
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- https://www.chathamhouse.org/2025/10/chinas-economic-model-will-continue-alarm-its-trading-partners
- https://blog.toroinvestimentos.com.br/educacao-financeira/inflacao-no-mundo/
- https://www.spglobal.com/ratings/en/regulatory/article/economic-outlook-asia-pacific-q4-2025-growth-to-ease-on-external-strain-s101645760
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- https://www.gizmodo.com.br/mercado-reduz-inflacao-mantem-pib-e-nao-mexe-no-dolar-35684
- https://corporate.vanguard.com/content/corporatesite/us/en/corp/vemo/vemo-china.html
- https://forbes.com.br/forbes-money/2025/12/focus-mercado-reduz-inflacao-de-2025-para-443-e-mantem-selic-em-15/
- https://www.stonex.com/en/market-intelligence/08-11-2025-how-chinas-prices-are-shaping-global-inflation/
- https://www.bloomberg.com/graphics/2025-china-deflation-cost/







