As cadeias de valor globais redefiniram o conceito de produção, transformando a manufatura em um sistema complexo e interconectado. Elas representam rede de processos globais interconectados que ultrapassam fronteiras e unem empresas e trabalhadores em um ecossistema integrado.
Ao entender as cadeias de valor globais, organizações e governos podem otimizar recursos, reduzir custos e promover inovação, garantindo maior competitividade no mercado internacional.
Definição e Conceitos Fundamentais
As CGV englobam atividades e etapas fundamentais para conceber, produzir, distribuir e apoiar produtos ao redor do mundo. Elas emergem da internacionalização da produção, em que cada fase — desde a pesquisa até o pós-venda — é executada onde, globalmente, for mais eficiente.
Essa estrutura desloca o foco do produto para o processo, enfatizando a coordenação entre diferentes atores, tecnologias e mercados.
Características Principais
A fragmentação e a dispersão geográfica são marcas registradas das CGV. Através da fragmentação internacional do trabalho, empresas dividem etapas produtivas entre parceiros especializados em diversos países.
Além disso, a estrutura de governança coordenada por firmas-líder assegura padrões de qualidade, logística e design, mesmo que a produção esteja espalhada por várias regiões.
- dispersão geográfica avançada de unidades fabris e de serviços;
- alocação estratégica de insumos segundo custo e capacidade produtiva;
- governança centralizada por empresa-líder definindo padrões e processos;
- integração de tecnologias digitais avançadas para gestão e sincronização.
Origem e Desenvolvimento Histórico
As primeiras análises sobre CGV surgiram em meados da década de 1990, quando a globalização financeira e comercial impulsionou multinacionais a repensar suas estruturas. Em 2005, Gereffi, Humphrey e Sturgeon destacaram como essas empresas racionalização das estruturas organizacionais e a subcontratação de tarefas de menor valor agregado elevaram sua competitividade.
Durante os anos 1990, o avanço das TIC e a queda das barreiras comerciais permitiram a expansão das CGV, consolidando redes produtivas coordenadas por grandes marcas e orquestradas por tecnologias digitais.
Escala e Impactos Econômicos
Entre 2000 e 2010, o comércio de bens intermediários triplicou, alcançando mais de US$ 10 trilhões anuais. Estima-se que 80% das trocas internacionais envolvem empresas multinacionais e suas extensas redes de fornecedores.
Cada grande corporação pode manter centenas de fornecedores diretos, que por sua vez se apoiam em milhares de parceiros de nível secundário, formando uma verdadeira teia global.
Tipos de Governança nas CGV
Existem dois modelos principais de governança. No primeiro, o produtor lidera a cadeia, controlando tecnologia e design. No segundo, o comprador exerce poder pela marca, distribuição e acesso ao consumidor.
- cadeias comandadas pelo produtor: típicas na indústria automotiva, com empresas como Volkswagen ou Ford definindo especificações e padrões;
- cadeias comandadas pelo comprador: comuns no setor de vestuário, onde grandes marcas terceirizam design, fabricação e logística.
Desafios e Oportunidades
Coordenar uma rede com centenas de empresas em diferentes fusos horários exige sistemas robustos de comunicação e gestão. A expansão escalonada de fornecedores amplia as vulnerabilidades, mas também oferece oportunidades de especialização.
Clusters regionais surgem como pontos de entrada para pequenas e médias empresas, que podem se conectar às CGV por meio de parcerias, inovação colaborativa e certificações de qualidade.
Desigualdades e Posicionamento Global
O comando das CGV costuma concentrar-se em países desenvolvidos, enquanto economias emergentes ocupam posições mais periféricas, fornecendo matérias-primas e componentes de menor valor agregado.
Para países como o Brasil, a inserção em segmentos de maior valor exige políticas públicas focadas em P&D, investimento em infraestrutura e incentivo a capacitação contínua de colaboradores locais.
Caminhos para uma Participação Sustentável
Para aumentar a participação e os ganhos, é fundamental investir em inovação, digitalização e cooperação entre setores públicos e privados.
- Fortalecer clusters regionais e criar centros de referência tecnológica;
- Estimular a capacitação de mão-de-obra especializada em novas tecnologias;
- Adotar plataformas digitais integradas para gestão de fornecedores;
- Promover parcerias internacionais e acordos comerciais estratégicos.
Ao compreender a dinâmica das CGV e adotar estratégias de longo prazo, empresas e países podem transformar desafios em oportunidades reais, garantindo crescimento sustentável e maior equidade na distribuição de lucros globais.
Referências
- https://clipping.com.br/cacd/cadeias-globais-de-valor-cgv/
- https://maisretorno.com/portal/termos/c/cadeias-globais-de-valor
- https://www.voitto.com.br/blog/artigo/cadeias-globais
- https://iedi.org.br/cartas/carta_iedi_n_897.html
- https://pgt.prp.usp.br/a-reconfiguracao-das-cadeias-globais-de-valor-global-valuechains-pos-pandemia-2020/
- https://www.youtube.com/watch?v=setR2BjCsX4
- https://www.teseopress.com/trabajoycapitalismo/chapter/cadeias-globais-de-valor-no-contexto-do-empreendedorismo-e-governanca-urbana-um-novo-enfoque-a-questao-da-precarizacao-do-trabalho-no-capitalismo-contemporaneo/
- https://www.mckinsey.com/capabilities/operations/our-insights/risk-resilience-and-rebalancing-in-global-value-chains/pt-BR







